Domingo, 6 de Dezembro de 2009

Tratado de Methuen

A história portuguesa está cheia de mitos, um deles, propagado por gerações e gerações de historiadores, é sobre os malefícios do Tratado de Methuen. O Tratado é sempre apresentado como algo que beneficiou em muito os interesses ingleses a desfavor dos interesses portugueses (curiosamente, ou então não, Adam Smith, n’A Riqueza das Nações, apresenta tese diferente, considerando que o Tratado foi lesivo dos interesses ingleses). Os historiadores portugueses, para provar a tese contra o Tratado, apresentam os dados sobre o agravamento da balança comercial com os ingleses após o mesmo, esquecem, muito convenientemente, de referir que a tendência de degradação da balança comercial era anterior ao Tratado. Por outro lado, há quem ainda pense que no proteccionismo à indústria nacional, levado a cabo pelas políticas do conde da Ericeira, estaria a solução para a indústria nacional, e o Tratado de Methuen, representante máximo do fim desse proteccionismo, teria ferido gravemente as hipóteses de uma indústria têxtil forte em Portugal. Compreendo que, à luz de algumas ideias da época, alguns atribuissem valor a esse tipo de pensamento, por mim, limito-me a agradecer que, nos tempos que correm, o proteccionismo esteja completamente desacreditado. Por fim, e só para rematar com o que pretendia efectivamente dizer quando comecei a escrever este post, acho que não há maior prova a favor dos benefícios do Tratado de Methuen do que o simples facto de, ainda hoje, ano 2009, século XXI, praticamente 300 anos após a sua assinatura, ainda aparecerem uns economistas na televisão a dar a actual indústria do vinho como um exemplo de vitalidade.

publicado por Jorge Assunção às 20:00
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

The logic of human messiness

Hidden deep in this brilliant book is the perfect phrase: Events were shaped by "the logic of human messiness." The regimes in Eastern Europe were destroyed not by monolithic force, but by myriad human beings reacting impulsively to the freedom of possibility. Watching from afar, we saw what seemed like neat little dominoes falling. In fact, what happened was as capricious, and messy, as a tornado.

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publicado por Jorge Assunção às 18:32
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Those who cannot remember the past are condemned to repeat it *

O Nuno Gouveia tem um texto dedicado aos derrotados da história, com o qual eu concordo em traços gerais, mas existem dois pontos que gostava de fazer sobre o mesmo. O primeiro sobre a conclusão:

Quem nunca teve o sentido da história nunca perceberá que foi ultrapassado por ela. Estamos em 2008, não em 1929.

É certo que a grande depressão estará associada à ascenção dos movimentos de extrema-direita ao poder, mas a Revolução de Outubro na Rússia deu-se em 1917, por isso não faria a associação da ascenção do comunismo necessariamente à grande crise do século XX (claro que ajudou a consolidar o poder de Estaline na União Soviética, mas isso é muito diferente de ter-lhe dado origem ou ter permitido a sua ascenção, para isso encontramos melhor explicação na primeira Grande Guerra). Já o que a crise de 1929 deu origem foi a uma cedência das forças de mercado à adopção de alguns principios socialistas na organização da sociedade e dessa situação parece-me que com esta crise também não escapamos. E isso leva-me imediatamente ao segundo ponto, quando no texto é afirmado:

Mas não vejo grandes razões para preocupação. A França também chegou a ter quase 20% da população a votar na extrema-direita, e o país não capitulou perante o radicalismo.

Discordo em absoluto. Em primeiro lugar porque o fenómeno por trás do radicalismo de extrema-direita (mais em concreto o francês) é de natureza diferente daquele que está por trás do radicalismo de extrema-esquerda. A crise será sempre terreno fértil para os extremistas alargarem as suas ambições, sejam eles de esquerda ou de direita, mas os motivos invocados para a crise e o sentimento geral da população perante a crise é neste momento favorável às forças radicais da esquerda. Na década de trinta do século XX era fácil motivar as pessoas para um movimento como o fascismo em Itália ou o nazismo na Alemanha com base num teor claramente patriótico e nacionalista, hoje em dia não me parece ser esse o caso (tirando um ou outro caso muito concreto onde tal pode acontecer, de onde a Áustria se destaca, mas que mesmo aí parece residual e que deverá ter ficado limitado com a morte de Haider). Mas ficando-me por Portugal, quer a retórica anti-mercado e anti-empresas, quer as condições históricas (na europa ocidental deu-se uma crucificação do fascismo que porventura não ocorreu em relação ao comunismo), favorecem que numa situação de dificuldades económicas as pessoas possam voltar-se para os primeiros demagogos que apresentem as propostas mais estapafúrdias rumo a um mundo "melhor". Eu acho que o Nuno Gouveia não vê grandes preocupações porque também não deve imaginar um cenário de crise acentuada prolongada no tempo em que os principais partidos portugueses, entretidos como andam, não consigam responder devidamente (para os distraidos, a nossa crise não começou este ano com a crise "mundial", mas vem desde o ano 2000 e não damos mostras de recuperar dela). Mas se as coisas não melhoram, eu acho que há mesmo razões para nos preocuparmos.

 

* George Santayana (The Life of Reason, Volume 1, 1905)

publicado por Jorge A. às 02:00
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Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

Pequenino

The Little Man Who Started These Great Wars
Napoleon’s Grand Army lost 370,000 men to death and another 200,000 to Russian captivity. When Bonaparte returned to Paris, a military bulletin cheerfully announced: “The Emperor’s health has never been better.” That was true enough, and Napoleon blithely began to rebuild his armies for the next campaign. Napoleon once said, “A man like me does not give a damn about the lives of a million men.” For a million people, however, the romance of the emperor’s adventures led simply to death.
The careful attention Napoleon paid to image-building is highlighted throughout Mr. Dwyer’s account, and will strike many readers as quite modern. It begins with the Battle of Arcola near Verona in November 1796, when Napoleon’s forces finally succeeded in crossing a bridge and taking the small village on the other side. Napoleon used this minor victory to help him win a reputation as a hero of the French Republic, immortalized by the painter Antoine-Jean Gros.
He would continually help construct his own image; “for him the truth never got in the way of a good story,” Mr. Dwyer writes. That story was of the military man who alone could save France.
The sections of “Napoleon” on the expedition to Egypt, with a good number of scientists along for the ride; on Napoleon’s fantasies of conquering India, and on the debacle in Syria — portrayed by Bonaparte as a glorious victory — are compelling (and perhaps may encourage some readers to make comparisons with a more recent invasion of a Middle Eastern state by a Western power).
Napoleão pode ter sido um bom general, mas acima de tudo era muito bom na arte da propaganda. Por muito que a visão predominantemente associada a Napoleão seja a sua capacidade enquanto general no campo de batalha, tenho presente na memória as guerras e os milhões de mortos que o homem provocou com os seus desejos megalómanos. Abomino Napoleão  e confesso todo o meu desprezo por todos os pequenos ditadores que povoaram o mundo. A única nota de ironia no meio de todo o mito que envolve Napoleão é a de que ele, um mestre na propaganda, ficará para toda a posterioridade visto como um tipo mais baixo do que o normal, facto mil vezes repetido pela propaganda inglesa da altura, e que ao que parece não corresponde à realidade dos factos. A história vive de fábulas, mais do que imaginamos...
publicado por Jorge A. às 23:37
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