Sábado, 24 de Outubro de 2009

Frases literárias

O socialismo não é só o problema do operariado, ou seja, do assim chamado quarto estado, mas, em primeiro lugar, uma questão ateísta, uma questão da encarnação moderna do ateísmo, a questão da Torre de Babel sem Deus e sem pretender atingir os céus a partir da terra, mas para fazer descer os céus à terra.

 

Fiódor Dostoiévski, Os Irmãos Karamazov

publicado por Jorge Assunção às 12:48
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Rita Rato

Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?

- Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.

 

Evidente. Se a deputada estudasse e aprendesse alguma coisa com a História, dada a sua idade, não seria militante do Partido Comunista Português. Na legislatura anterior, o PCP tinha como deputada uma jovem, de seu nome Margarida Botelho, que todas as semanas vinha passear a sua ignorância num programa da RTP (O Corredor do Poder, se não me engano), agora, aparece esta tal de Rita Rato, que imediatamente alcançou a fama, não propriamente pelos seus encantos intelectuais. Percebo que o PCP, agastado pelas constantes referências ao envelhecimento do seu eleitorado, queira transparecer jovialidade, mas com jovens destes não vai longe. Enfim, com as ideias do partido julgo que será difícil encontrar outros jovens que não estes.

publicado por Jorge Assunção às 12:30
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

The logic of human messiness

Hidden deep in this brilliant book is the perfect phrase: Events were shaped by "the logic of human messiness." The regimes in Eastern Europe were destroyed not by monolithic force, but by myriad human beings reacting impulsively to the freedom of possibility. Watching from afar, we saw what seemed like neat little dominoes falling. In fact, what happened was as capricious, and messy, as a tornado.

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publicado por Jorge Assunção às 18:32
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Sábado, 4 de Abril de 2009

O único totalitarismo condenável é o da extrema-direita

A Resolução do Parlamento Europeu, de 2 de Abril de 2009, sobre a consciência europeia e o totalitarismo, infelizmente não contou com o voto de apoio dos dois deputados europeus eleitos pela CDU. O deputado europeu Pedro Guerreiro, na sua declaração de voto, afirma que o relatório "pretendeu branquear o nazi-fascismo e condenar o comunismo" e teve como objectivo "apagar o contributo decisivo dos comunistas e da União Soviética para a derrota do nazi-fascismo". Se alguém tenta branquear alguma coisa não é o relatório em causa, em que nada do que é dito é mentira, mas sim o senhor deputado europeu: tenta branquear os crimes do regime soviético.

 

Publicado no Eleições 2009.

publicado por Jorge A. às 11:25
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Those who cannot remember the past are condemned to repeat it *

O Nuno Gouveia tem um texto dedicado aos derrotados da história, com o qual eu concordo em traços gerais, mas existem dois pontos que gostava de fazer sobre o mesmo. O primeiro sobre a conclusão:

Quem nunca teve o sentido da história nunca perceberá que foi ultrapassado por ela. Estamos em 2008, não em 1929.

É certo que a grande depressão estará associada à ascenção dos movimentos de extrema-direita ao poder, mas a Revolução de Outubro na Rússia deu-se em 1917, por isso não faria a associação da ascenção do comunismo necessariamente à grande crise do século XX (claro que ajudou a consolidar o poder de Estaline na União Soviética, mas isso é muito diferente de ter-lhe dado origem ou ter permitido a sua ascenção, para isso encontramos melhor explicação na primeira Grande Guerra). Já o que a crise de 1929 deu origem foi a uma cedência das forças de mercado à adopção de alguns principios socialistas na organização da sociedade e dessa situação parece-me que com esta crise também não escapamos. E isso leva-me imediatamente ao segundo ponto, quando no texto é afirmado:

Mas não vejo grandes razões para preocupação. A França também chegou a ter quase 20% da população a votar na extrema-direita, e o país não capitulou perante o radicalismo.

Discordo em absoluto. Em primeiro lugar porque o fenómeno por trás do radicalismo de extrema-direita (mais em concreto o francês) é de natureza diferente daquele que está por trás do radicalismo de extrema-esquerda. A crise será sempre terreno fértil para os extremistas alargarem as suas ambições, sejam eles de esquerda ou de direita, mas os motivos invocados para a crise e o sentimento geral da população perante a crise é neste momento favorável às forças radicais da esquerda. Na década de trinta do século XX era fácil motivar as pessoas para um movimento como o fascismo em Itália ou o nazismo na Alemanha com base num teor claramente patriótico e nacionalista, hoje em dia não me parece ser esse o caso (tirando um ou outro caso muito concreto onde tal pode acontecer, de onde a Áustria se destaca, mas que mesmo aí parece residual e que deverá ter ficado limitado com a morte de Haider). Mas ficando-me por Portugal, quer a retórica anti-mercado e anti-empresas, quer as condições históricas (na europa ocidental deu-se uma crucificação do fascismo que porventura não ocorreu em relação ao comunismo), favorecem que numa situação de dificuldades económicas as pessoas possam voltar-se para os primeiros demagogos que apresentem as propostas mais estapafúrdias rumo a um mundo "melhor". Eu acho que o Nuno Gouveia não vê grandes preocupações porque também não deve imaginar um cenário de crise acentuada prolongada no tempo em que os principais partidos portugueses, entretidos como andam, não consigam responder devidamente (para os distraidos, a nossa crise não começou este ano com a crise "mundial", mas vem desde o ano 2000 e não damos mostras de recuperar dela). Mas se as coisas não melhoram, eu acho que há mesmo razões para nos preocuparmos.

 

* George Santayana (The Life of Reason, Volume 1, 1905)

publicado por Jorge A. às 02:00
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Domingo, 30 de Novembro de 2008

Commies Aren't Cool

A contribuição da URSS e, posteriormente, do campo dos países socialistas, para os grandes avanços de civilização verificados no século XX foi gigantesca.

Assim diz o Partido Comunista Português que está este fim-de-semana reunido em congresso (via: Pedro Correia). A coisa merece tributo:

 

 

Alguém quer encomendar a sua:

publicado por Jorge A. às 00:34
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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Pontos de Vista

Leio o comunicado do Partido Comunista Português "Sobre o conflito militar no Cáucaso". A palavra "Rússia" consta seis vezes no documento. O país onde se realizam os confrontos, a "Geórgia", é mencionado meras três vezes no documento. Os "EUA" tiveram direito a seis referências e, grande surpresa, a "Nato" tem direito ao maior número de referências, nada mais, nada menos, do que oito. Ainda sobram duas referências para o "Governo português" e tantas para a "União Europeia" como para a "China", o "Iraque", o "Kosovo" e a "Sérvia", ou seja, uma. Cada um tire as conclusões que quiser sobre o que incomoda o PCP, mas talvez por isso nesta guerra, ao contrário de outras, não se convocaram as manifestações anti-guerra da praxe. As guerras são igualmente más, mas há umas mais más que as outras.

publicado por Jorge A. às 17:40
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Soljenitsine na blogosfera

Na morte de Soljenitsine, por Pedro Correia:

Quando outros calaram, por cobardia ou conveniência, ele expôs-se - servindo-se de um papel e de uma caneta para denunciar um regime iníquo. Estaline mandou deportá-lo para um campo de concentração siberiano, Brejnev deu-lhe ordem de expulsão do país.

Solzhenitsyn, RIP, por Andrew Sullivan: 

His accounts of what torture and dehumanization do to people - the enforcers and the victims - helped me better understand the utter incompatibility of freedom and torture of any kind, anywhere. If I had to point to one author who inspired my horror at what Cheney and Bush have done to America's integrity these past few years, it would be Solzhenitsyn.

Aleksandr Solzhenitsyn dies at 89, por Tyler Cowen: 

He did not in every way favor liberty, but he did more for liberty than almost any other person of the late 20th century.

The Best of Solzhenitsyn, por Bryan Caplan: 

But if any writer can make future generations of Russians look on the Soviet era with the horror it deserves, it's the man who stared down the Soviet Union at the height of its power - and outlived it by 17 years.
publicado por Jorge A. às 21:43
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Domingo, 3 de Agosto de 2008

Arquipélago Gulag

Alexander Solzhenitsyn Is Dead at 89 

Solzhenitsyn's unflinching accounts of torment and survival in the Soviet Union's slave labor camps riveted his countrymen, whose secret history he exposed. They earned him 20 years of bitter exile, but international renown. And they inspired millions, perhaps, with the knowledge that one person's courage and integrity could, in the end, defeat the totalitarian machinery of an empire.

No livro onde relata as atrocidades dos campos de concentração soviéticos, Alexander Solzhenitsyn faz a dedicação em honra "a todos aqueles que não viveram para o contar". O livro é uma narrativa do autor sobre a sua experiência enquanto prisioneiro de um desses campos, e em honra de Solzhenitsyn e da história que tantas vezes é esquecida, em nome daqueles que não viveram para contar, mas também para que no futuro não haja nada do género para contar e pessoas que percam a vida antes de o poderem fazer, recomendo a leitura de Arquipélago Gulag.

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publicado por Jorge A. às 23:19
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Ingrid Betancourt

Colômbia: Ingrid Betancourt e três réféns americanos resgatados pelo Exército

 

A Colômbia vive atormentada pelo terrorismo das FARC, que surgiu enquanto braço armado do Partido Comunista Colombiano, desde a década de 60. Para o governo cubano e venezuelano as FARC não são terroristas, são insurgentes contra um poder opressor do povo. O Partido Comunista Português demonstra até algum carinho pelas FARC - e quando confrontado com as atrocidades que estes praticam, refugia-se sempre na falta de virtudes do actual governo colombiano. Para o leitor que queira divertir-se um pouco, poderá sempre ler os artigos de Miguel Urbano Rodrigues no Avante! (Guerrilheiras das FARC / A pequenez do CDS e a grandeza das FARC), autênticas delicias humoristicas, não fossem aquelas ilusões tomadas por verdade por alguns que as lêem.

 

Entretanto, Ingrid Betancourt foi libertada hoje numa acção de resgate do exército colombiano. Não se trata de uma vitória das forças armadas colombianas, mas de uma vitória para o mundo.

publicado por Jorge A. às 22:07
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Domingo, 22 de Junho de 2008

Rir é o melhor remédio

A ler este artigo do Telegraph: Was it jokes that defeated Communism? 

Poor Mr Gorbachev. Every time he met Ronald Reagan at a summit, he was subjected by the American President to a stream of Russian jokes. Or rather, to be precise, Soviet jokes - the point of which was always to satirise some aspect of life under communism. What made it worse was that some of them really were very funny.

Recordei-me deste post no Daily Dish

Your post reminded me of a joke which was ubiquitous in Russia when I started working with refuseniks in the early 1980's.  It would usually be whispered after furtive glances to the left and right:

"So, comrades, we know that capitalism is the stage that follows mercantilism, that socialism is the stage that follows capitalism, and that communism is the stage that follows socialism.  But what is the stage that follows communism?"  "Answer: alcoholism."

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publicado por Jorge A. às 00:21
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

O Casamento...

...em Cuba:

At present, vehicles are divided into two categories: those registered before 1959, and those after it. The former (mainly 1940s and 1950s American imports) are viewed by the government as relics from the island's capitalist past and can still be legally bought and sold. Cars imported after that date are deemed state property (initially handed out to loyal workers and Communist Party officials), whose ownership can be passed only within families. Cubans, famed for their ingenuity in circumventing rules, have been known to get married simply to gain legal possession of a car, and then divorce.
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publicado por Jorge A. às 00:29
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Entretanto...

...no reino do fantástico:

Colômbia: FARC libertam reféns em gesto humanitário, por António Vilarigues (via Kontratempos)

"Trata-se da 'invasão soviética' do Afeganistão, coisa que nunca na verdade existiu excepto nas versões mentirosas, mas caudalosamente distribuídas por todo o mundo, da propaganda norte-americana", por Correia da Fonseca no Avante! (via Corta-Fitas)

No comments...
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publicado por Jorge A. às 22:34
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Revolution

PCP enaltece Revolução de Outubro e afirma convicção na vitória do comunismo

Que é assim como dizer que o PCP enaltece Vladimir Lenine e a sua policia secreta - a KGB, que só em execuções sumárias terá morto mais de 100 mil pessoas. O PCP enaltece a censura soviética desde os primórdios do governo de Lenine. Enaltece a tomada do poder à força por partes dos vermelhos, sem que nunca, em momento algum, tenham sido realizadas eleições livres. O PCP enaltece Joseph Estaline e os milhões de mortos que resultaram de execuções sumárias e das privações dos presos nos campos de concentração soviética: os gulags. O PCP enaltece muita coisa, só não percebo porque não enaltece também o Estado Novo.

Curiosamente, a revolução de Outubro marca também outra coisa. Marca o primeiro de muitos fracassos da teoria de Karl Marx, que havia previsto que o comunismo triunfasse numa das sociedades capitalistas mais avançadas (onde a luta de classes seria mais intensa), quando pelo contrário, a primeira experiência comunista nasce num país relativamente subdesenvolvido.

Mas não deixa de ser preocupante que nos dias de hoje exista quem enalteça a revolução de Outubro, e que tal partido ainda corresponda a 8% do eleitorado português.
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publicado por Jorge A. às 21:04
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Domingo, 28 de Outubro de 2007

A State to Rule Them All

Educação: BE acusa direita de financiar escolas da Opus Dei e Governo de apresentar falsos"rankings"

Jerónimo de Sousa exige que Governo impeça fusão do BCP com o BPI

Francisco Louçã irrita-se com o facto de as escolas privadas aparecerem no topo do ranking. Preocupa-se com quem as financia. Ora, eu fico preocupado é com o facto de muitas escolas que eu financio - as estatais - aparecerem tão mal colocadas e com tão maus resultados. Se as privadas, financiadas por privados, aparecem bem ou mal colocadas tanto me faz. E acho muito bem que quem pode (tem dinheiro para...) decida financiar a educação do seu filho. Curioso é também o facto de que quem paga uma proprina privada para o seu filho estudar, pague duplamente a educação, uma vez que os seus impostos são usados para financiar o ensino estatal - para quando a introdução do cheque ensino? Claro que é o conceito de cheque ensino que anda a irritar Louçã... este não quer que os pais decidam qual a escola e o sistema (privado ou estatal) onde querem meter os filhos... Louçã quer escolher por todos os pais o que é melhor para os seus filhos. Nada de novo, portanto.

Já o camarada Jerónimo de Sousa tem saudades dos tempos em que os bancos eram todos nacionalizados. Para o camarada os bancos ainda não são dos accionistas, são do estado. Belo país seria este com o camarada de Sousa na liderança...
publicado por Jorge A. às 13:20
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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007

O Mau, o Péssimo e o Pior

Sobre o novo livro de Robert Gellately (Lenin, Stalin, and Hitler: The Age of Social Catastrophe), o artigo Compare and contrast na The Economist:

IN THEIR different ways they were as bad as each other, the three monsters of 20th-century Europe. That is an oddly controversial statement. Hitler is almost universally vilified; Lenin remains entombed on Red Square as Russia's most distinguished corpse; and modern Russia is looking more kindly on Stalin's memory.

Anyone who still believes in the myth—assiduously propagated by the Soviet Union and its admirers—of the “good Lenin” will find the book uncomfortable reading. The author outlines with exemplary clarity Lenin's cruelty, his illegal and brutal seizure of power, his glee in ordering executions, the institution of mass terror as a means of political control and the construction of the first camps in what later became the gulag. “Far from perverting or undermining Lenin's legacy, as is sometimes assumed, Stalin was Lenin's logical heir,” he writes icily.

Mr Gellately busts another myth too: that Hitler seized power by fear and force. The combination of anti-Jewish and anti-Bolshevik rhetoric played well with the German public. People felt humiliated by defeat and impoverished by recession, and Hitler blamed “the Jews” for both.

Leitura recomendada: Aconteceu na URSS

publicado por Jorge A. às 21:40
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