Terça-feira, 7 de Abril de 2009

Os anti-capitalistas

Louçã avança com pacote de leis anti-capitalistas

 

"Outro projecto novo imposto do BE visa os mais abastados. Recordando que «Portugal é o país da União Europeia com maior desigualdade de rendimentos», o «imposto de solidariedade sobre as grandes fortunas» atingirá quem tiver bens num valor «superior a 2500 salários mínimos nacionais», ou seja cerca de 900 mil euros. Um por cento da população de Portugal, segundo as contas do BE."

 

Portugal é também dos países mais socialistas da União Europeia e daqueles onde o discurso anti-capitalista mais vinga. Isso explica em boa parte o nosso atraso. É triste que partidos como o BE e o PCP tenham a força que têm em Portugal. É triste...

publicado por Jorge A. às 18:49
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Those who cannot remember the past are condemned to repeat it *

O Nuno Gouveia tem um texto dedicado aos derrotados da história, com o qual eu concordo em traços gerais, mas existem dois pontos que gostava de fazer sobre o mesmo. O primeiro sobre a conclusão:

Quem nunca teve o sentido da história nunca perceberá que foi ultrapassado por ela. Estamos em 2008, não em 1929.

É certo que a grande depressão estará associada à ascenção dos movimentos de extrema-direita ao poder, mas a Revolução de Outubro na Rússia deu-se em 1917, por isso não faria a associação da ascenção do comunismo necessariamente à grande crise do século XX (claro que ajudou a consolidar o poder de Estaline na União Soviética, mas isso é muito diferente de ter-lhe dado origem ou ter permitido a sua ascenção, para isso encontramos melhor explicação na primeira Grande Guerra). Já o que a crise de 1929 deu origem foi a uma cedência das forças de mercado à adopção de alguns principios socialistas na organização da sociedade e dessa situação parece-me que com esta crise também não escapamos. E isso leva-me imediatamente ao segundo ponto, quando no texto é afirmado:

Mas não vejo grandes razões para preocupação. A França também chegou a ter quase 20% da população a votar na extrema-direita, e o país não capitulou perante o radicalismo.

Discordo em absoluto. Em primeiro lugar porque o fenómeno por trás do radicalismo de extrema-direita (mais em concreto o francês) é de natureza diferente daquele que está por trás do radicalismo de extrema-esquerda. A crise será sempre terreno fértil para os extremistas alargarem as suas ambições, sejam eles de esquerda ou de direita, mas os motivos invocados para a crise e o sentimento geral da população perante a crise é neste momento favorável às forças radicais da esquerda. Na década de trinta do século XX era fácil motivar as pessoas para um movimento como o fascismo em Itália ou o nazismo na Alemanha com base num teor claramente patriótico e nacionalista, hoje em dia não me parece ser esse o caso (tirando um ou outro caso muito concreto onde tal pode acontecer, de onde a Áustria se destaca, mas que mesmo aí parece residual e que deverá ter ficado limitado com a morte de Haider). Mas ficando-me por Portugal, quer a retórica anti-mercado e anti-empresas, quer as condições históricas (na europa ocidental deu-se uma crucificação do fascismo que porventura não ocorreu em relação ao comunismo), favorecem que numa situação de dificuldades económicas as pessoas possam voltar-se para os primeiros demagogos que apresentem as propostas mais estapafúrdias rumo a um mundo "melhor". Eu acho que o Nuno Gouveia não vê grandes preocupações porque também não deve imaginar um cenário de crise acentuada prolongada no tempo em que os principais partidos portugueses, entretidos como andam, não consigam responder devidamente (para os distraidos, a nossa crise não começou este ano com a crise "mundial", mas vem desde o ano 2000 e não damos mostras de recuperar dela). Mas se as coisas não melhoram, eu acho que há mesmo razões para nos preocuparmos.

 

* George Santayana (The Life of Reason, Volume 1, 1905)

publicado por Jorge A. às 02:00
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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

O Capitalismo Inteligente *

Por via desta troca de ideias com o Maldonado cheguei a um blogue que desconhecia e mais concretamente a este post. O post é uma ode à motivação, à interligação entre a psicologia e a gestão, e um desabafo para com a falta de percepção do empresariado português para com tal situação. O autor do post dá vários exemplos de motivação no trabalho como a implementação de "horários fléxiveis, regalias diversas como telemóvel, portátil, seguros de saúde extensiveis à familia, mais dias de férias, estudos financiados, etc. Há empresas até que têm ginásio e creche. A cultura de portas abertas e informalidade funciona melhor, que um ambiente formal, por exemplo.". O exemplo que apresenta entre parentesis da utilização de tal motivação: a Microsoft. Falta explicar que a Microsoft (tal como a Google e outras empresas do sector) lutam por um conjunto de trabalhadores especializados de topo, os melhores do mundo, e que o valor acrescentado de cada trabalhador é suficiente para sustentar os beneficios em causa. A questão não é, portanto, só uma questão de motivação, mas antes de capacidade daqueles que essas empresas procuram recrutar para se manterem no topo e continuarem a poder oferecer esses beneficios essas motivações (já agora aproveito para referir que as três grandes do sector automóvel norte-americano também motivavam fortemente os seus empregados com os tais seguros de saúde, veja-se onde foram parar).

 

Claro que a psicologia e a gestão é um caso que me interessa. Nos Estados Unidos existem empresas a contratar psicólogos para adaptar o ambiente da empresa aos jovens licenciados que, quando não gostavam do ambiente, despediam-se em três tempos e iam à procura de outra empresa (não sei se estão a perceber bem, falo da troca na relação de forças entre empresa e trabalhador que a esquerda tanto gosta de apregoar). Mais recentemente li que cresce entre alguns jovens japoneses uma forma de vida que valoriza o pessoal sobre o profissional, o que os leva a rejeitar promoções nas empresas em que trabalham, contrariando aquilo que foi a forma de estar da geração que os antecedeu, sempre dedicada ao trabalho.

 

Mas voltando à motivação, à gestão e à Microsoft, o problema que se encontra com estes teóricos do que deve ser a gestão de uma empresa, é que aquilo que se aplica à gestão da Microsoft (onde a maioria do quadro é formado por gente altamente qualificada) não se aplica a noventa e nove por cento das empresas que estão no mercado português (já falei na qualidade do quadro, olhemos também para a quantidade de pessoas no quadro, é que fazer creches e ginásios numa PME é não só inviável como ridiculo).

 

Mas eu adoro estes teóricos da gestão, que explicam como é que os empresários devem gerir as suas empresas. A pergunta que fica no ar é: se os empresários portugueses são assim tão maus, mas tão maus, não seria fácil que uma nova geração de empreendedores surgisse, com as práticas da boa gestão e da motivação, da psicologia e da gestão, e em pouco tempo fizesse sucesso no mercado? O que impede esta nova geração de despontar? O que impede...

 

* por oposição ao capitalismo selvagem segundo Ana Camarra no primeiro comentário ao post em causa

publicado por Jorge A. às 03:48
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Domingo, 19 de Outubro de 2008

I've Found a Growth Market

Na secção da The Economist, KAL's Cartoons

Secções: ,
publicado por Jorge A. às 16:18
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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008

Tentáculos

Em 2006, Paulo de Azevedo anunciou o lançamento de uma oferta pública de aquisição da Sonaecom à Portugal Telecom. Os analistas anunciaram que o gesto significava a entrada de Portugal no capitalismo puro e duro. À luz do resultado de tal operação e dos recentes acontecimentos relativos ao Banco Comercial Português, não posso deixar de esboçar um sorriso.

Somos um país pequenino onde os tentáculos do estado abrangem tudo e todos. Até, se necessário, o maior banco privado português e outrora simbolo da capacidade empreendedora do sector.
publicado por Jorge A. às 23:28
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