Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Vai dar trabalho

Na biblioteca, o 2666 sorri para mim. Existem dois exemplares disponiveis, ocupando pouco mais de 12 centímetros na última prateleira de uma estante. Não recordo se procurava algo específico na letra B, de Bolaño, mas sei que fiquei imediatamente convencido que a leitura para o Natal estava encontrada. O rapaz que regista os livros que entram e saiem da biblioteca, começa por perguntar-me se gostei de Faulkner. Digo-lhe que sim. Depois, acrescento que não gostei do Deus das Moscas (comecei logo por não gostar da tradução alternativa do título), do outro lado recebo a cara de alguém que não percebe como é possível não gostar do livro de Golding. Explico que já conhecia a história, havia visto a adptação cinematográfica e, portanto, o meu gosto pelo livro estava dependente não da história em si, mas da vivacidade, intensidade e fluidez da escrita. Contudo, a natureza altamente descritiva da obra e a inexistência de surpresas face àquilo que recordava do filme, havia provocado em mim nada mais do que aborrecimento. O rapaz finge que fica satisfeito com a minha resposta, pega finalmente no 2666 para dar saida deste nos registos e diz-me que é o livro na moda. Parece que sim, respondo eu. Tendo presente as mais de 1000 páginas do livro, digo-lhe que vai ser um livro que vai dar trabalho. Pondero corrigir a última frase, que sugere a ideia errada, mas limito-me a pegar no livro, soltar um boa tarde e abandonar o edíficio. O livro até pode dar trabalho, mas é um daqueles trabalhos que vem acompanhado de prazer e é feito com gosto. Por trabalho queria apenas dizer que ia demorar tempo, caso gostasse, até tê-lo lido todo. Se não gostasse, iria dar tanto trabalho como qualquer outro livro: o trabalho de devolvê-lo ao lugar de origem. Felizmente, já conclui a primeira das cinco partes que constituem o livro, e podem ter a certeza que este só é devolvido depois de concluida a leitura integral da obra.

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publicado por Jorge Assunção às 14:30
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5 comentários:
De Livia Borges a 24 de Dezembro de 2009 às 14:56
Guarda um espacinho, em Fevereiro, para mim...
De Jorge Assunção a 28 de Dezembro de 2009 às 15:08
Está guardado. ;)
De manuel gouveia a 24 de Dezembro de 2009 às 15:15
Percebi, temos aqui um intelectual!

Bom Natal.
De Jorge Assunção a 28 de Dezembro de 2009 às 15:10
Olha que não, olha que não. E o 2666 até é um livro bastante desagradável para os intelectuais.
De manuel gouveia a 28 de Dezembro de 2009 às 16:18
Somos modestos, percebo!

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