Domingo, 13 de Dezembro de 2009

Motivo de preocupação

Muitos acham estranha a preocupação demonstrada por aqueles que, não apreciando o sujeito e não lhe reconhecendo qualidades por ai além, criticam Passos Coelho constantemente. Ora, porque me preocupo com Passos? Tentarei dar uma resposta abreviada:

 

1) Em primeiro lugar, porque reconheço em Passos as qualidades mediáticas para chegar a líder do PSD e a primeiro-ministro do país. Isso é ponto assente: Passos tem perfil mediático e boa capacidade de comunicação, e num país como o nosso, tal é mais do que suficiente para alcançar o poder.

 

2) Contudo, essas qualidades, úteis (diria mesmo obrigatórias) a qualquer político, sendo suficientes para alcançar o poder, não são suficientes para governar bem. E ai está o ponto complicado: quais as qualidades para governar bem. E é a falta de qualidades para dar um bom governante que noto constantemente em Passos, quer fruto de mero feeling (enfim, a que mais recorrer em homem de tão reduzido curriculum), quer por não apreciar muitos dos seus apoiantes, quer por indicios como a da sua posição sobre o TGV ou a CGD.

 

3) Sócrates. O fantasma da repetição de uma governação tipo Sócrates é terrivelmente assustador. Sócrates é o exemplo tipico de alguém que tem as qualidades mediáticas para atingir o poder mas, tendo-o obtido, revela-se um péssimo governante. Ora, Passos aparenta-se perante mim como um sujeito saido do reflexo de um espelho em que Sócrates mirava-se. Pior ainda, um Sócrates versão B, pois ainda é mais gravoso quando o tipo que não sabe governar aparenta estar do lado da direita (e digo aparenta porque, nem Passos é um tipo liberal, como achou por bem camuflar-se, como até considero que é um tipo ainda mais à esquerda do que Ferreira Leite).

 

4) A situação financeira do país. Portugal está num daqueles momentos na história em que uma falha na governação tem repercussões fortissimas no nível de vida dos seus habitantes. Noutras circunstâncias, poderiamos arriscar com um político inexperiente, para ver no que dava. Mas na situação do país, o risco aumentou consideravelmente e não é tempo de andar a brincar aos políticos. Quer-se gente com provas dadas, na politica ou fora dela. Mas, em todo o caso, gente que já tenha demonstrado saber o que vai fazer e o quanto é difícil a tarefa a empreender.

publicado por Jorge Assunção às 14:30
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5 comentários:
De Daniel João Santos a 13 de Dezembro de 2009 às 19:43
Gente com provas dadas... pois, quanto a isso estamos esclarecidos com a paisagem politica que temos.
De Jorge Assunção a 14 de Dezembro de 2009 às 15:37
Tens razão, Daniel.
De Marco A. a 14 de Dezembro de 2009 às 09:35
Tenho alguma pena, mas tenho de concordar contigo, não acho que Passos seja uma alternativa a Sócrates, e por acaso faz-me lembrá-lo em muito.
De António de Almeida a 14 de Dezembro de 2009 às 12:45
Não apreciei a última entrevista de PPC, o que em nada altera a minha apreciação, bastante negativa, sobre a actual liderança. O facto de ter criticado a exclusão de PPC e Miguel Relvas das listas não me torna um defensor entusiástico da até agora única alternativa à liderança no terreno.
De Jorge Assunção a 14 de Dezembro de 2009 às 15:52
"Não apreciei a última entrevista de PPC, o que em nada altera a minha apreciação, bastante negativa, sobre a actual liderança."

Também não gosto particularmente da actual liderança, mas tenho noção de que não é tão má quanto a pintam.

"O facto de ter criticado a exclusão de PPC e Miguel Relvas das listas não me torna um defensor entusiástico da até agora única alternativa à liderança no terreno."

Mesmo que fosses, António. Em primeiro lugar, em política fazem-se escolhas e concordarás que as divergências que existem entre nós são mais de posicionamento estratégico, de avaliação de candidatos, do que programáticas, de ideias para o país. Em segundo lugar, não é obviamente a pessoas como tu que me refiro quando falo dos apoiantes de Passos que não aprecio, e longe de mim colocar todos os apoiantes de Passos no mesmo saco. Mas há uns quantos, sejam os estrategas, sejam os testa-de-ferro, que até tu aceitarás que estão muito longe de pretender aplicar no país a mesma receita que tu e eu defendemos (bem sei, com a actual liderança acontece o mesmo, mas isso era assunto para post comprido). Noto, aliás, em torno de Passos, muito daquele espirito de boys que sempre rodeou Sócrates. E onde há valorização de boys não vale a pena pensar que existirá qualquer tentativa de alterar o status quo vigente. Há só tentativa de alterar quem ocupa os cargos disponiveis.

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