Domingo, 6 de Dezembro de 2009

Tratado de Methuen

A história portuguesa está cheia de mitos, um deles, propagado por gerações e gerações de historiadores, é sobre os malefícios do Tratado de Methuen. O Tratado é sempre apresentado como algo que beneficiou em muito os interesses ingleses a desfavor dos interesses portugueses (curiosamente, ou então não, Adam Smith, n’A Riqueza das Nações, apresenta tese diferente, considerando que o Tratado foi lesivo dos interesses ingleses). Os historiadores portugueses, para provar a tese contra o Tratado, apresentam os dados sobre o agravamento da balança comercial com os ingleses após o mesmo, esquecem, muito convenientemente, de referir que a tendência de degradação da balança comercial era anterior ao Tratado. Por outro lado, há quem ainda pense que no proteccionismo à indústria nacional, levado a cabo pelas políticas do conde da Ericeira, estaria a solução para a indústria nacional, e o Tratado de Methuen, representante máximo do fim desse proteccionismo, teria ferido gravemente as hipóteses de uma indústria têxtil forte em Portugal. Compreendo que, à luz de algumas ideias da época, alguns atribuissem valor a esse tipo de pensamento, por mim, limito-me a agradecer que, nos tempos que correm, o proteccionismo esteja completamente desacreditado. Por fim, e só para rematar com o que pretendia efectivamente dizer quando comecei a escrever este post, acho que não há maior prova a favor dos benefícios do Tratado de Methuen do que o simples facto de, ainda hoje, ano 2009, século XXI, praticamente 300 anos após a sua assinatura, ainda aparecerem uns economistas na televisão a dar a actual indústria do vinho como um exemplo de vitalidade.

publicado por Jorge Assunção às 20:00
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1 comentário:
De commonsense a 6 de Dezembro de 2009 às 22:47
O tema é muito interessante.
Pessoalmente também não creio que tenha sido o tratado que impediu a industrialização.
Acho que foi antes o fidalguismo, ainda hoje muito presente na sociedade portuguesa, que não reconhece grande dignidade ao trabalho e que na época contribuiu para não permitir a criação de uma burguesia forte e activa. Quando conseguia ganhar algum dinheiro, a burguesia de então, em vez de o investir, queria nobilitar-se e vender a sua empresa. Foram raras as empresas que chegaram à terceira geração.
A industrialização e o capitalismo liberal só sobrevivem no ambiente da ética luterana. Max Weber dixit.

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