12 comentários:
De Daniel João Santos a 27 de Maio de 2009 às 22:20
Almeida santos tem uma visão superior à dos outros.
De Jorge Assunção a 28 de Maio de 2009 às 14:39
A visão de socialista é sempre superior à dos outros, especialmente quando trata de pôr outros a pagar impostos...
De Miguel Madeira a 28 de Maio de 2009 às 10:49
"Afinal, a luta contra o aquecimento global anda perto da tentativa de imposição de um imposto mundial."

Também lhe podemos chamar "definição mundial de direitos de propriedade", acabando com o actual comunismo mundial da atmosfera.
De Jorge Assunção a 28 de Maio de 2009 às 14:42
O comunismo mundial da atmosfera? Só para inicio de conversa: quem é que passava a ser o proprietário da atmosfera?
De Miguel Madeira a 29 de Maio de 2009 às 00:29
Em primeiro lugar, no meu comentário queria fazer referencia ao protocolo de Kyoto, mas depois acho que me esqueci (ou seja, o que eu estava a dizer era no contexto de Kyoto).

Agora, a respeito de quem seria o proprietário da atmosfera: a ideia de Kyoto é criar quotas de emissão atribuídas aos países e transaccionáveis. Logo, numa primeira fase, podemos dizer que os Estados nacionais passavam a ser os proprietários.

Ou seja, numa primeira fase passávamos do comunismo mundial para uma espécie de mais ou menos duzentos comunismos nacionais, relacionando-se entre si de forma mercantil.

Agora, a respeito do método usado pelos governos nacionais para controlar as emissões, uma das duas ideias mais populares é o chamado "cap and trade" (a outra são os tais impostos): atribuir (por leilão ou por decisão politica) quotas de emissão a algumas empresas, podendo elas re-vender essas quotas (no fundo, o mesmo esquema de Kyoto, mas à escala de empresas em vez de países) - ou seja, essas empresas tornam-se proprietárias da atmosfera.

Assim, a combinação de Kyoto com o cap-and-trade é a privatização da atmosfera - primeiro, o ar deixa de ser de todos (ou de ninguém?) para ser repartido pelos vários estados nacionais, e depois os estados nacionais entregam-no ao sector privado.

Pode-se argumentar que isso não é bem "privatização", já que os tais privados tornam-se "proprietários" da atmosfera de acordo com regras e processos decididos, em ultimas instância, pelo poder político. Mas não é isso que se passa em quase todas as privatizações?
De Jorge Assunção a 29 de Maio de 2009 às 06:09
Caro Miguel,

confesso que fui dar uma vista de olhos pelos posts sobre o assunto no Vento Sueste e, como normal por lá, há coisas interessantes sobre o assunto. Mas o Miguel sabe perfeitamente que o que existe actualmente não é "comunismo mundial da atmosfera". O ar é que pelas suas características tem preço nulo (as próprias forças de mercado assim o determinam). E a privatização do ar tout-court parece-me uma impossibilidade.

"Logo, numa primeira fase, podemos dizer que os Estados nacionais passavam a ser os proprietários."

Se proprietário é poder regular e taxar, então hoje já todos os Estados nacionais são proprietários da atmosfera, ou não? Kyoto impõe é um limite decidido a nível mundial a todos os países. Dai ser um imposto mundial. O Cap and Trade não deixa de ser uma forma especial de imposto.

"Assim, a combinação de Kyoto com o cap-and-trade é a privatização da atmosfera - primeiro, o ar deixa de ser de todos"

Não. O ar continua a ser de todos. Há é um determinado direito sobre ele que deixa de ser de todos. Mas o detentor do direito à emissão de CO2 não passa a ser proprietário do ar.
De Miguel Madeira a 29 de Maio de 2009 às 00:35
Já agora, copio algo que escrevi em tempos

http://ventosueste.blogspot.com/2007/03/quioto-e-anti-capitalismo.html

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Um ultimo ponto - há uma curiosa ironia no debate sobre o grau de gravidade da poluição atmosférica. Em principio, claro, sendo, em si, uma questão puramente cientifica e não politica, nem deveria haver grande relação entre as opiniões politicas de uma pessoa e a sua opinião sobre, digamos, se o aquecimento global existe e/ou qual a sua origem. No entanto, atendendo que os preconceitos ideológicos acabam sempre por afectar a nossa opinião, acho que o que seria de esperar, de acordo com o que as diferentes ideologias defendem, seria o seguinte:

O campo dos que dizem que a poluição, o aquecimento global, etc. não são graves deveria estar a abarrotar de adeptos do "Movimento Socialista Mundial" e de anarco-comunistas (este "abarrotar" deve ser relativizado, atendendo a que são duas ideologias ultra-minoritárias), que argumentariam "Estão a ver como é perfeitamente possível uma sociedade sem dinheiro nem preços e em que cada um se sirva simplesmente tirando o que necessita? É assim que funciona com o ar que respiramos e tem dado para todos sem haver nenhuma tragédia até agora".

O campo dos que dizem que a poluição ameaça a vida na Terra deveria estar a abarrotar de liberais (que, aliás, comparados com os anarco-comunistas ou com o MSM até parecem muitos), dizendo "Estão a ver como na ausência de direitos de propriedade, dinheiro, um mercado e preços o cálculo económico e o eficiente uso dos recursos é impossível? Veja o que aconteceu com a atmosfera - completamente destruída pela ausência de direitos de propriedade!".

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Para quem não saiba o que é o "Movimento Socialista Mundial", é isto:

http://www.worldsocialism.org/index.php
De manuel gouveia a 28 de Maio de 2009 às 11:06
Eu tinha razão! Vamos por os Somalis a pagar a crise! O Abu que pague a crise!
De Jorge Assunção a 28 de Maio de 2009 às 14:43
Eu acho que querem é pôr a nossa classe média a pagar ao Abu. Eu não me importo de ajudar o coitado do Abu na Somália, mas desde que de forma voluntária.
De manuel gouveia a 28 de Maio de 2009 às 15:04
O Guterres precisa de dinheiro. Vá lá!
De António de Almeida a 28 de Maio de 2009 às 14:11
Mário Soares é pessoa para defender a criação do imposto espacial, pago pelos EUA em cada viagem do vaivém, preferencialmente pago pelo neoliberal W. Bush. É só ele conseguir perceber como ligar isto tudo.
De Jorge Assunção a 28 de Maio de 2009 às 14:47
Obviamente, caro António. É impostos por viagens de vaivém e imposto por satélites a rondar a Terra.

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