6 comentários:
De AP a 19 de Janeiro de 2009 às 09:23
Não posso estar mais de acordo consigo.
O desafio além de ser ingrato é inconsequente. Não bastam as economias emergentes, não abdicarem dos seus níveis de crescimento, a crise mundial veio também atirar o investimento ambiental nas empresas para debaixo do tapete. Será que os próprios EUA estão dispostos a sacrificarem-se em prol de Quioto com esta conjuntura actual? Precisa-se de imaginação para que isso aconteça.
De Jorge A. a 19 de Janeiro de 2009 às 12:45
"Será que os próprios EUA estão dispostos a sacrificarem-se em prol de Quioto com esta conjuntura actual?"

Se seguirem as recomendações do economista mais graduado da administração, Larry Summers, presume-se que não estarão dispostos a grandes sacrificios. Mas se estiverem, será bom que expliquem que quando optam por combater o aquecimento global, é certo o impacto negativo na economia.
De Miguel Lourenço Pereira a 19 de Janeiro de 2009 às 11:19
Honestamente não entendo esta crença mundial de Obama como o salvador da Humanidade. É já mesmo o desespero pós-Bush onde tudo vale. Obama é provavelmente o Presidente com o trabalho mais fácil da historia dos EUA porque tudo o que faça, será sempre melhor do que o seu antecessor, por muito insignificante que seja.

E não nos esqueçamos. Obama é americano e vai sempre velar primeiro pelo "império" por muito que saiba que tem o Mundo pendente. O seu governo central é desde já a principal prova de que Obama quer estabilizar o país à sua volta, garantir o segundo mandato (neste momento, se perguntassem ao mundo até lhe davam os 4 do Roosevelt) e relançar os EUA como potencia mundial. Crise economica? Sim, a sua. Problemas ambientais? Sim, desde que nao comprometa a sua poderosa industria. Politica pacifista no Medio Oriente? Sim, desde que o lobby judeu fique satisfeito - Obama foi a Jerusalem na pre-campanha, nao esquecer - e os exportadores de petroleo tambem. Crise com a Russia? Sim, desde que a UE continua a seguir a linha ditada por Washington.

Obama pode - e provavelmente é - um fenomeno e um grande estadista. E será certamente um bom presidente. Será melhor que o que passou e provavelmente marcará uma época, tal como o JFK. Mas nem o Kennedy era tao bom, nem ele o será. Porque ambos sao da mesma cepa, e ambos pensarão sempre primeiro no "God Bless America". O que é normal. A pergunta é: E porque continuamos tanto a depender deles? A solução é que parece bem mais complicada...e à medida que o tempo vai passando, nos vamos encolhendo!

Um abraço
De Jorge A. a 19 de Janeiro de 2009 às 13:04
Caro Miguel,

"É já mesmo o desespero pós-Bush onde tudo vale."

Dado que ao Bush eram atribuidas as culpas por tudo e por nada (algumas certamente justas, mas muito extremamente injustas), é normal que agora muitos achem que a pessoa naquele cargo tudo pode.

"Obama é americano e vai sempre velar primeiro pelo "império" por muito que saiba que tem o Mundo pendente."

Nem mais.

"A pergunta é: E porque continuamos tanto a depender deles? A solução é que parece bem mais complicada..."

Aí existem muitos factores explicativos. Por exemplo, não há nenhuma democracia no mundo com a vitalidade da democracia americana. E quem fala da vitalidade da democracia, pode falar da vitalidade da economia (impar no mundo e sem comparação com muitas das economias europeias) - pode ser mais, como dizé-lo, "selvagem", mas eu particularmente prefiro ter uma economia assim do que ter uma domada (e vai ver como desta crise eles vão recuperar muito mais depressa que os europeus). Depois eles têm o poderio militar, ao qual a Europa habituou-se a ficar à sombra (o que permitiu à Europa criar um sistema de protecção social que não existe nos EUA, mas tivessem os governos europeus despesas militares como tem os EUA, e o dinheiro para a protecção social não existiria). Também são lideres na tecnologia e investigação (quantos prémios nóbeis?) e dominam o poder social (coca-cola, cinema, etc) - e na resposta ao porquê do dominio dos EUA nestes campos (compare a forma de financiamento da investigação nos EUA quando comparado com a europeia - ou forma de financiamento do cinema americano quando comparado com o europeu) o Miguel tem em parte a resposta à sua pergunta.

Claro que esta minha análise é simplista, e as complexidades e os detalhes necessários para responder à questão são muito mais complicados, mas no inicio à resposta que formula começaria exactamente pelos tópicos que enuncio.
De Miguel Lourenço Pereira a 19 de Janeiro de 2009 às 14:27
Concordo plenamente com todos os pontos levantados. Aliás, confesso, a pergunta era num tom retórico, já que a superioridade dos EUA sobre a cultura europeia dos últimos 60 anos é inquestionável.

Mas apesar de todos estes pontos, a Europa está a perder (uma vez mais, e já se começa a perder a conta) mais uma oportunidade para dar um murro na mesa e reinvindicar-se como um actor sério.
É verdade que o poderio militar ficou relegado para o poder americano na NATO. Mas a submissão à Russia tem de terminar. Por outro lado, o euro assume-se, apesar de tudo, como a moeda forte, levando mesmo a um possivel (e definitivo) ocaso da libra. E no entanto, a Europa continua a viver uma debilidade economica e financeira assustadora. Uma constante dependencia de paises de II e III Mundo que assim fazem valer constantemente as suas pressoes.

E claro, no panorama politico, vivemos a ditadura do politicamente correcto que amordaça qualquer irreverencia politica capaz de tirar o mofo das democracias ocidentais. O clientelismo e o populismo é agora muito similar ao que se vivia no seculo XIX. Mudam os nomes, as organizaçoes, mas a monotonia que atou a sociedade europeia é cada vez mais evidente.

Claro que na falta de criar o seu proprio messias, ou pelo menos uma estrutura que o potencia - o presidente da Comunidade Europeia, que devia ser o farol da UE...é um peao da potencia europeia de turno - Obama parece, aos olhos europeus, como um novo "monstro politico". Mas na Russia, China, India ou Brasil é apenas mais um rosto com uma poderosa maquina atrás de si. E a Europa continua a olhar mais depressa para a forma do que para o conteudo.

O vigor americano é louvável, mas tem as suas falhas. A estagnaçao (moral, economica, social, politica, militar, financeira) europeia, é um toque de finados que já começa a desesperar.

Um abraço
De Jorge A. a 19 de Janeiro de 2009 às 18:31
"Por outro lado, o euro assume-se, apesar de tudo, como a moeda forte"

Esse é um bom ponto, uma vez que boa parte da superioridade económica americana pode ser explicada pela adopção do dólar como a moeda padrão no sistema monetário internacional. Como parece que os americanos estão a tentar destruir a força da sua moeda, era bom que os europeus soubessem reforçar o peso da sua.

"O clientelismo e o populismo é agora muito similar ao que se vivia no seculo XIX. Mudam os nomes, as organizaçoes, mas a monotonia que atou a sociedade europeia é cada vez mais evidente."

Não podia concordar mais. Aliás, é curioso que para Portugal possa-se ler Eça de Queirós e pensar que o retrato da sociedade portuguesa que ele faz ao seu tempo aplica-se que nem uma luva aos dias de hoje (embora eu não queira, obviamente, tomar Portugal por toda a Europa).

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