-Eu penso - disse Anna, brincando com a luva que descalçara -, penso... que se para cada cabeça sua sentença, para cada coração a sua maneira de amar.
Anna Karénina, Lev Tolstói, Relógio D’Água Editores, Tradução de António Pescada
Embora tenha apreciado, não morri de amores pelo livro de Tolstói. No posfácio, Vladimir Nabokov lista os maiores escritores russos de ficção em prosa. Tolstói emerge no primeiro lugar destacado. Dostoiévski nem entra no top quatro. Eu que ando aqui a tentar compensar o tempo perdido com a leitura desenfreada de livro atrás de livro (refiro-me àqueles que são marcos da literatura mundial), acho que vou deixar o Lolita do Nabokov lá bem para o fim da lista de prioridades.
E muito mais podia ser dito sobre os outros escolhidos. Para começar, nada melhor do que ler o texto do Pedro Correia: Um prémio chorudo aos derrotados.
Figo é um homem de negócios e começa a ser cada vez mais claro o que é preciso para ser um empresário de sucesso em Portugal. Apesar disso, esta história, até pela fonte, suspeito que possa não ser bem como a pintam. Mas, neste país, já não me admiro com nada. Como refere um comentador n'O Insurgente: Saramago e a Câmara de Lisboa também foi assim…e nesse caso tudo às claras e sem pudor…
É certo que pode dever-se à minha irritação para com o facto de José Penedos ainda manter-se como presidente em funções da REN, mas não deixei de ficar incomodado com o sorriso que o homem ostentava no dia em que era ouvido no âmbito de um processo onde é suspeito de um crime grave. O sorriso pode não revelar propriamente o que vai na alma de Penedos, mas fiquei com a impressão que estava ali alguém a gozar com a nossa justiça. Afinal, com a quantidade de gente grauda que não está na prisão (mas merecia, definitivamente merecia), talvez a justiça mereça mesmo ser alvo de algum gozo. Penedos ri não sei bem do quê, eu rio para não chorar.
Nenhum homem deveria passar a sua vida sem experimentar ao menos uma vez a salutar e até enfadonha solidão de um ermo, exclusivamente dependente de si próprio e assim aprendendo, portanto, a conhecer a sua força verdadeira e oculta.
Viajante Solitário, Jack Kerouak, Editorial Minerva
Murakami utiliza esta citação em Sputnik, meu amor. Uma frase de Kerouak que traz consigo uma sabedoria que Murakami reserva para muitas das personagens dos seus livros.
Para além de partilhar com o Ega a antipatia pelo Carlos Malato (leiam o post citado), também é com interesse que fico a saber que o ciclo "Cinco Noites, Cinco Filmes" estará de regresso à 2. Talvez isso explique o porquê de ter apanhado o Dog Day Afternoon, com o Al Pacino, ontem à noite na estação em causa.
Aliás, ver o Al Pacino naquela fase inicial da sua carreira é um luxo para qualquer amante de cinema. E é o recordar de como já não existem actores assim (e como o próprio Al Pacino é, nos tempos que correm, uma pequena amostra daquilo que já foi). Há um momento de particular brilhantismo no filme: a maior parte da acção decorre durante o assalto a um banco. A certa altura, o companheiro de uma das mulheres sequestradas (um sequestro muito peculiar, diga-se), tendo conhecimento através da televisão que decorre o assalto, telefona para o banco e a esta é-lhe permitido falar com ele. Durante a chamada, esta vira-se para Sonny (a personagem de Al Capino) e pergunta-lhe, com toda a naturalidade, que o companheiro perguntava quando é que este pensava dar o assalto por terminado para ela regressar a casa. A pergunta é insólita, e não há resposta adequada para a mesma. Al Pacino balbucia alguma coisa sobre a falta de sentido da pergunta, mas como espectador quase não presto atenção ao que diz, a resposta já havia sido dada pela expressão facial e pelos olhos de Sonny na primeira reacção à pergunta.
Primeiro, achei-o uma boa solução para a selecção. Depois, fiquei desiludido com os resultados e as exibições, de tal forma que criei a ideia de que Portugal não tinha qualquer hipótese de estar presente no mundial da África do Sul e boa parte da culpa era do seleccionador nacional. Por fim, neste momento estou a 100% com Queirós e analisando o percurso e os jogadores disponiveis, talvez tenha sido muita injusta a descrença que revelei para com o seu trabalho. Mais injusto é as criticas que ainda se fazem sentir, até aposto que se ontem, antes de serem conhecidos os resultados finais, perguntassem aos portugueses se trocavam Queirós pelo seleccionador da Rússia, Guus Hiddink, a maioria dos portugueses teria respondido sim (talvez, mesmo agora, ainda respondessem de igual forma). Pois bem, Portugal estará no mundial e a Rússia não. O grande seleccionador Hiddink vai assistir aos jogos do mundial da África do Sul através da televisão e o nosso Queirós não.
E sabem, aproveitando o percurso de Hiddink e Queirós, até ia fazer aqui um apontamento sobre a sorte e o azar, mas no futebol actual (para não referir o futebol de todos os tempos) as coisas não se resumem à sorte, ao azar e ao mérito de jogadores e treinadores. Quem dúvida, olhe para o jogo que garantiu o apuramento da França. Sabem, a mão do Henry não é a mão do Xavier.
Gosto de ver o Ossos, na Fox. Como a promoção à série indica, a Dª. Brennan é o cérebro, associada à razão, o Special Agent Booth é o coração, associado à emoção - é, para simplificar, uma reencarnação da relação entre a Dana Scully e o Fox Mulder do X-Files. A série, como tantas outras do género, gira em torno de dois planos: um definido e de curta duração, que se prende com a história do episódio em causa, outro mais indefinido e que se estende ao longo dos vários episódios, e que se prende com as relações amorosas e sociais entre os vários protagonista da série. O desenvolvimento do segundo plano é aquilo que verdadeiramente cativa e permite o prolongar da série por várias temporadas. O primeiro plano, quando prestamos a devida atenção, é uma (quase) repetição de episódios anteriores.
É como no Dr. House: costumo assistir ao episódio que começa por volta das 19:20. Por vezes parece que a solução para a doença que afecta o personagem do episódio está prestes a ser descoberda. Olho para as horas: são 19:40. Então tenho a certeza que ainda não é desta e outra situação inesperada ocorrerá. Não fosse assim, por vezes rotineira, e talvez a série não durasse tanto tempo nos ecrãs.
A avaliar pela reacção de alguns comentadores desportivos às declarações do seleccionador bósnio, já estão esquecidas algumas declarações de Luiz Felipe Scolari antes de jogos decisivos para a selecção nacional, nomeadamente as que foram proferidas aquando da famosa expressão " dos jogos mata-mata". É que, se não me falha a memória, na altura foram recebidas com elogios pelo efeito positivo que teriam sobre o colectivo nacional.
E eu gosto da nova Norah.
Leio o Ana Karenina, de Tolstói. Num dos jantares da alta sociedade de São Petersburgo, formam-se dois grupos de conversa, em ambos, para animar a conversa, recorre-se à maledicência. Era assim há mais de uma centena de anos, é assim agora.
A selecção nacional de futebol foi bem recebida na Bósnia. O sorriso de Simão Sabrosa e Miguel a caminharem para o autocarro à saida do aeroporto não deixa margem para dúvidas. Entretanto, alguém queira fazer o favor de esclarecer o que disse efectivamente o seleccionador da selecção da Bósnia: vão "derrubar Portugal" ou "comer Portugal"? É que, na mesma estação televisiva, já vi a coisa traduzida ora de uma, ora de outra forma.
Posso estar enganado, mas aposto que se tivesse sido um ministro da economia de Santana Lopes a proferir uma frase com o teor da de Vieira da Silva sobre as "escutas políticas", e já estaria demitido ou seriam inúmeras as considerações sobre a incompetência e o despropósito de ter um tal senhor como ministro. Claro que, já o sabemos, a Sócrates e aos seus ministros o tratamento a aplicar é outro.
PSD recebeu financiamento ilícito da Somague
Esta notícia, com alguns anos, foi daquelas que me deixou desgostoso pela fraca exposição noticiosa que lhe foi dada. Na altura, foi possível suspeitar logo do motivo pelo qual tal financiamento ilícito, condenado em tribunal, passou tão ao lado da nossa política: outros haviam, não necessariamente do PSD, que não desejavam levantar ondas com tal tema. Como já referi algumas vezes neste blogue, não aceito a tese do 'são todos iguais', mas estou mais do que convencido que no PS, PSD e CDS/PP (refiro especialmente estes três partidos porque são os que ocuparam lugares relevantes no poder central), existem pessoas que actuam do mesmo modo ilícito. O que é importante, por isso a necessidade de não tomar todos por iguais, é perceber que nas pessoas que pertencem aos partidos, nem todas actuam ou estarão dispostas a actuar (e pactuar) com esta sujeira. Por isso nada me move contra o PS, nem confundo o PS e todos os militantes do PS com o actual líder, pessoa que não desperta em mim a mínima confiança.

Se um ser omnisciente perguntasse: José Sócrates é uma pessoa séria? E em troca de resposta correcta oferecesse a vida eterna (imaginando que a vida eterna é uma prenda muito preciosa), qual seria a resposta pela qual o leitor optaria: sim ou não?
Eu sei qual seria a minha resposta, e apesar da minha resposta colocar-se no plano da aparência, do incerto, e na vida real não existir o tal ser omnisciente a quem recorrer para passar a minha resposta para o plano do ser, do concreto, a resposta que dou a tal pergunta não deixa de me incomodar profundamente. Um incómodo que há muito não consigo esconder.
Economia cresce 0,9% no último trimestre
Nos momentos que antecedem o tsunami, o mar junto à costa acalma, fica flat, e a maré recua. Só depois vem a onda que tudo leva.
Volta e meia surge uma grande campanha publicitária de promoção de um filme, assim é com 2012, o novo de Roland Emmerich. A tal ponto que é possível encontrar em vários sites conversas sobre a eventualidade do fim do mundo ocorrer em 21 de Dezembro de 2012 (como no próprio site da NASA). Sinceramente, tenho muito pouco interesse pelo filme. Não necessariamente pela repulsa que uma campanha do género me provoca, mas sobretudo porque o realizador e o produto estão mais do que batidos e neste tipo de filmes catastróficos não é necessariamente as imagens de efeitos especiais que me atraiem (e, quem conhece os filmes anteriores, sabe como Emmerich fica dependente dos efeitos especiais para tornar o filme medianamente interessante). Portanto, continuarei a aguardar pacientemente pelo The Road.
Sporting: Villas Boas fica na Académica, negociações falham
Bem, se falhar o último pretendente a novo Mourinho, podem sempre ir buscar o eterno pretendente a novo Mourinho, Carlos Carvalhal. E isto porque sabemos que o outrora dado como arqui-rival do Mourinho, Manuel José, já mostrou não estar disponível para o cargo. Esta novela sportinguista está engraçada. Muito embora, no meu clube, há quem aponte o Jorge Jesus como melhor que o Mourinho. E no FCP, há quem diga que Jesualdo Ferreira é bom, mas está longe do Mourinho. É toda uma obsessão nacional com o Mourinho. Tão nacional que é coisa certa, e o próprio já manifestou interesse nisso, que o Mourinho será, numa data ainda por determinar, seleccionador nacional de futebol.
A propósito da notícia acima citada, gostaria de recordar:
Há muito tempo que os socialistas gostariam de ter silenciado o jornal cujo director é José António Saraiva. Vamos ver quanto tempo demora até o conseguirem.
Neste momento, a pergunta já nem é quantos socialistas ocupam cargos de relevo na sociedade portuguesa, mas antes: quantas pessoas ligadas a José Sócrates ocupam cargos de relevo na sociedade portuguesa?
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